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Helicicultura - A criação de escargot ou caracol no Brasil

A criação de escargot ou caracol, no Brasil, teve início na década de setenta e de uma maneira mais intensiva e comercial a partir dos anos oitenta, com criadores dos Estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
Nesta época, não havia muitas informações a respeito, apenas versões apressadas de manuais franceses, que acabavam por incorrer em muitos erros e orientações que não se adaptavam as condições locais. Agora, na década de 90, a febre de se criar escargots ressurgiu em vários pontos do país e a procura por conhecimentos e uma tecnologia de criação recomeçou.

Neste sentido, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, por estar situada numa região onde se concentravam muitos heliários (criatórios de escargots), começou a ser solicitada pelos criadores em busca de mais informações sobre a atividade.
Assim, através do Departamento de Nutrição e Avaliação do Animal, do Instituto de Zootecnia, deu-se início, há sete anos, as pesquisas sobre a helicicultura (criação de escargots), com o objetivo de se definir um conjunto de práticas e técnicas de manejo que melhor se adaptasse as condições tropicais do pais.

O escargot é um molusco terrestre da espécie Hélix, sendo os mais conhecidos o Petit gris, o Gros gris, o Gros blanc e o Gigante chinês. De hábitos noturnos, o escargot precisa de condições ambientais favoráveis para viver: temperatura entre 16 e 25° C, umidade relativa mínima de 80% e fotoperíodo. Durante o dia procure abrigos úmidos e escuros, protegidos de ventos. A temperatura abaixo de 10°C, geralmente entra em hibernação, acima de 25°C entra em estiva e, abaixo de 0°C, a água dos seus tecidos congela, ocasionando sua morte.

Segundo o zootecnista Edson Assis Mendes, professor e pesquisador da UFRRJ, no Brasil, durante vários anos, houve uma predominância da espécie Petit Gris (Hélix aspersa aspersa) devido ao caráter empírico das criações. Entretanto, quando trabalhos científicos começaram a mostrar resultados, a espécie Gros gris (Hélix aspersa máxima) ganhou espaço e atualmente é produzida pela maioria dos helicicultores. Com tecnologia apropriada, o Gros gris já é abatido com 10 gramas de peso vivo e idade entre 100 e 120 dias, confinados em caixas de plástico ou madeira, em ambiente com temperatura media de 25°C e UR mínima de 80%, alimentados com ração balanceada e ausência total de terra, exceto nas caixas de matrizes, onde coloca-se copos pare desova com 2/3 de terra.

As pesquisas desenvolvidas pelo professor Edson e sua equipe originaram um projeto piloto para implantação de uma helicicultura adequada a pequenos espaços, permitindo uma produção de 58 kg de peso vivo/m2 ao ano, com 60% de rendimento de carcaça, e ainda, após a estabilização do rebanho a partir da 24a semana, o início da comercialização de matrizes selecionadas. Outras conclusões que adequam a helicicultura pare nossas condições ambientais são:

O ambiente ideal para o escargot confinado é conseguido com a utilização de umidificadores, desenvolvidos pelo zootecnista José Luiz da Cunha Machado, e/ou condicionador de ar. Nos laborat6rios da UFRRJ, apenas usando umidificador, consegue-se manter as condições ambientais necessárias.

A densidade máxima recomendada e de 400/200/100 animais por m2 nas 1a, 2a e 3a fases respectivamente. Um aumento muito grande de população induz o escargot a abandonar a concha causando sua morte, a roer sua própria concha ou a dos outros animais. Comportamento este que pode também estar ligado a deficiência de cálcio.

A nutrição indica o uso de ração balanceada com teores de 18% de proteína bruta, 3100 kcal/kg de energia bruta e relação Ca/P de 16:1. Níveis estes conseguidos quando se utilize a seguinte receita: 70% de fubá de milho; 27% de farelo de soja; 1,5% de farinha de ostra; 0,6% de farinha de osso calcinado; 0,4% de premix e 0,5% de sal fino. Sendo que a farinha de ostra deve ser suplementada em recipiente a parte.

Quanto a reprodução, o escargot, tem uma copula que dura até 12 horas. A postura dos ovos e feita em copos de vidro ou plástico rígido, preparados pare este fim, contendo 2/3 de terra fofa e úmida. O ovos devem ser transferidos para outros copos com terra esterilizada para evitar sua contaminação pela mosca do cemitério, e após 14 dias ocorre a eclosão de 75 a 120 filhotes. Entretanto, nos laboratórios do Instituto de Zootecnia vem sendo conseguido, com sucesso, a eclosão em ausência total de terra, apenas mantendo-se as condições ambientais ideais. Experiência, essa, que já vem sendo conseguida, também na França.

Criar escargots no Brasil tem futuro promissor. Atualmente toda a produção do país, em torno de 25 toneladas anuais, é consumida internamente e a tendência e aumentar a cada dia com a popularização do uso culinário. O mercado externo também é amplo, especialmente na Europa. Na França, por exemplo, são consumidas mais de 45 mil toneladas anualmente.

Fonte: www.cpt.com.br.

Festival do Caracol e da Sangria - Santarém 31 de Julho a 2 de Agosto

Começa amanhã o Festival do Caracol e da Sangria, que terá lugar na sede do CCFC da Portela das Padeiras, em Santarém.
Neste festival poderá deliciar-se com variadas receitas de caracóis acompanhadas com a deliciosa sangria, e terá também bar jovem e animação musical nas noites de Sexta e Sábado.




Festival do Caracol Saloio 2015 em Loures

O Festival do Caracol está de volta a Loures, entre 10 a 26 de Julho, para fazer as delícias dos amantes desta iguaria tipicamente portuguesa. Com entrada gratuita, o evento conta com dez tasquinhas, espectáculos diários, espaço de animação infantil e mostras de artesanato.

Festival do Caracol Saloio 2015 em Loures
Festival do Caracol Saloio 2015 em Loures
“Caracoleta à Bulhão Pato”, “Empada de caracol”, “Chili de caracoleta” ou “Farinheira com ovos e caracóis” são algumas das especialidades que os visitantes podem degustar, durante os 17 dias do festival, nas tasquinhas que representam restaurantes do concelho de Loures.


Petiscos condimentados, animação de palco e de rua, exposições e artesanato do concelho são apenas alguns dos extras que completam o evento onde os gastrópodes são os protagonistas.

A nível internacional, o Festival entrou no livro do Guiness, em 2009, com o maior tacho de caracóis do mundo e, em 2014, o programa “Bizarre Foods”, do canal “Travel” fez um programa sobre o evento.

Curso de Helicicultura (Formação teórica e práctica) - Agosto 2015


Olá amigos.
Hoje trazemos boas notícias para os amantes da helicicultura que pretendam receber formação nesta área quer seja por interesse pessoal ou para se iniciarem na produção de caracóis.



A formação que vai acontecer já no próximo mês de Agosto terá lugar na região de Lisboa, mais concretamente em Odivelas, e terá a seguinte constituição:

  • Tipo: Curso teórico com visita à unidade de produção. 

  • Carga horária: 25 horas (21 teóricas + 4 práticas) Divididas em 5 sessões de 5 horas cada 

  • Objectivo: No final do curso os formandos deverão saber efectuar as operações relativas ao maneio alimentar, reprodutivo, higienosanitário e produtivo de uma exploração helicícola. 


Esta formação vai munir o novo Helicicultor dos conhecimentos obrigatórios para produzir caracoleta de alta qualidade com custos baixos de produção. 

Como vai ser? Nesta formação vão ser abordadas todas as temáticas fundamentais à gestão de uma unidade helicícola para engorda de caracoleta. Vai ficar a saber todos os aspectos relativos à identificação dos hábitos e morfologia dos animais, passando pela preparação dos parques, cálculo de dietas, reprodução, cuidados higienossanitários, controlo de pragas, engorda, apanha, purga, embalamento e transporte

Curso de Helicicultura (Formação teórica e práctica) - Agosto 2015

Caracoleta Alentejana

[...] Casa Branca, no concelho de Sousel, saem por ano cerca de 40 toneladas de caracoletas para as lojas de uma cadeia da grande distribuição. Os responsáveis por este negócio são marido e mulher. António e Stela. [...] 

 [...] Hoje o negócio prosperou e as suas caracoletas, através das lojas Pingo Doce, são distribuídas em todo o País, quer no verão, altura forte de venda, quer no fim de ano, uma data que se tem revelado boa para o escoamento do produto. [...]

in Diário do Alentejo

Caracóis portugueses estão na moda

Produção já ultrapassou as 500 toneladas por ano e dá três milhões de euros.
A produção de caracóis em Portugal ultrapassou as 500 toneladas por ano. Segundo os dados divulgados esta quinta-feira na Lourinhã, no I Encontro Nacional de Helicicultores, está em causa um rendimento na ordem dos três milhões de euros.
De acordo com Paulo Geraldes, presidente da Cooperativa dos Helicicultores, há em Portugal cerca de 150 produtores espalhados de norte a sul do país. Este número equivale a uma área de produção de 300 hectares.
Nos últimos três anos o aumento de produtores foi na ordem dos 200% e deveu-se em parte ao financiamento comunitário. Este apoio por parte da União Europeia tem sido fundamental para a divulgação do produto a nível internacional e consequente incremento da produção e consumo interno.
Falamos de 13 mil toneladas de caracóis. Este é o número do consumo desta iguaria em Portugal. E embora seja um valor considerável, o alvo dos produtores é o mercado da exportação. Quando questionado sobre a razão para “ocupar” o mercado internacional com caracol português, Paulo Geraldes indica que “a qualidade do nosso produto” é de facto o elemento-chave.
Actualmente os países que fazem parte da lista de exportação são a Espanha, França e Itália e tem como mercados emergentes o asiático e o árabe. Geraldes volta a referir a qualidade como factor diferenciador “na promoção e aposta da comercialização internacional da helicicultura”.
Os mais jovens também estão interessados na produção de caracóis. Paulo Geraldes refere que os agricultores mais jovens são os que mais têm investido na área e mostram mais vontade de expandir e melhorar a qualidade do caracol português. “Os jovens agricultores fazem neste momento uma série de opções e análises dessas opções e alguns enveredam por outras áreas, como a pêra abacate, na zona sul, e os pequenos frutos, as ervas aromáticas, os cogumelos e alguns pela helicicultura”.

Caviar de caracol produzido no Algarve desafia chefes

O chamado "caviar branco", que mais não é que ovas de caracol e cujo preço pode atingir os 1.500 euros por quilograma, está a ser produzido no Algarve e a constituir um novo desafio para os chefes da alta cozinha.

O preço elevado deve-se à raridade do produto, já que cada caracol produz em média cerca de quatro gramas, uma vez por ano, e nem todos os ovos apresentam a qualidade exigida para a chamada cozinha 'gourmet'.
Caviar de Caracol Algarvio
"O nosso produto não é transformado, é puro e mantém-se puro desde a recolha até ao seu embalamento. Temos um pequeno segredo que nos permite ter o produto inalterado e quebrar o ciclo de crescimento do caracol", disse Altair Joaquim, sócio-gerente da CaviarBlanc, empresa responsável pela produção destas ovas, frisando que "é esse segredo" que garante a diferença e a qualidade da marca algarvia, produzida perto do concelho de Olhão.
Originalmente desenvolvido em França, o caviar de caracol começou a ser produzido em Portugal há já alguns anos, sendo toda a produção dirigida à exportação.
Altair Joaquim disse que a ideia de negócio da "CaviarBlanc" no Algarve surgiu há cerca de quatro anos, depois de se "debruçar sobre informações" que o pai trouxera de França sobre helicicultura, processo de criação e exploração de caracóis da espécie Helix Aspersa Maxima.
Há dois anos, a ideia consolidou-se e o projeto de Altair Joaquim foi aprovado e financiado por fundos comunitários no âmbito do PRODER, permitindo a construção de toda a estrutura necessária para a produção de caracóis, e a recolha, tratamento e acondicionamento dos ovos.
O responsável pela CaviarBlanc prevê que a produção de ovos de caracol possa atinja os 200 quilogramas por ano, depois da conclusão de todos os investimentos previstos [uma nova maternidade], o que deverá ocorrer até ao final deste ano.
Para escoar o produto, o empresário aposta nos mercados europeu e asiático, frisando que o grande objetivo é atingir "uma forte implantação nos Emirados Árabes Unidos e em Macau".
"Gostava de dizer que o nosso alvo é o mundo inteiro, para dar a provar o produto a toda a gente. Contudo, neste momento, focaliza-se em distribuidores dos produtos de alta qualidade a nível 'gourmet' e no setor da alta cozinha", explicou o produtor algarvio.
Em Portugal, a estratégia de promoção do "caviar branco" passa pelo contacto direto com chefes cozinheiros prestigiados, tendo conseguido que o produto começasse já a ser utilizado por Luís Mourão, responsável pelo restaurante Al Químia, do Epic Sana Algarve Hotel, um hotel de cinco estrelas de Albufeira.
"É um caviar diferente que não é utilizado com frequência, mas tem tido muito boa aceitação por parte dos clientes. Tem sido uma experiência interessante", disse Luís Mourão.
Apesar da boa reação que tem tido dos clientes, Luís Mourão reconheceu que, por vezes, se disser que se trata de ovas de caracol, o cliente "fica um pouco reticente". Se disser que é caviar branco, "fica bem, sai melhor".
Em plena cozinha, Luís Mourão explicou que a grande diferença entre o caviar tradicional de esturjão e o caviar de caracol está no sabor.
"Enquanto o outro [esturjão] sabe mais a mar, este tem um sabor a terra, um bocadinho mais salgado. São coisas completamente diferentes", descreveu.
'Escargot' com caviar branco e pão de pistacho, 'foie gras' -- fígado de pato ou ganso - temperado com caviar branco em vez da tradicional flor de sal e uma margarita onde o caviar branco substituiu novamente o sal são algumas propostas apresentadas por Luís Mourão e a sua equipa.
O chefe disse ter sido fácil associar os ovos de caracol aos pratos do seu menu que têm 'escargot' e que as características do próprio caviar propiciam a sua conjugação com outras iguarias.
A empresa 'CaviarBlanc' de Olhão está a direcionar a divulgação e comercialização do produto para os chefes de cozinha, disponibilizando cada frasco de 28 gramas por 42 euros.

Produção de caracóis rende três milhões e está a crescer em Portugal

A produção de caracóis em Portugal ultrapassa as 500 toneladas/ano e rende três milhões de euros, mas pode crescer muito se multiplicar as exportações, segundo dados divulgados hoje na Lourinhã no I Encontro Nacional de Helicicultores.

A informação disponibilizada aponta para a existência de centena e meia de produtores, de norte a sul do país, e 300 hectares de área de produção.

Entre 2012 e 2013, o número de produtores aumentou mais de 200%, graças em parte ao financiamento comunitário de projetos.

Antes de 2009, estima-se, existiriam apenas cinco produtores em todo o país, mas a procura por áreas de negócio alternativas à agricultura tem vindo a atrair investidores e em 2013 os produtores eram já mais de 60.

A Helixcoop, a única cooperativa de helicicultores a nível nacional, tinha 13 associados em 2011, quando foi constituída, e hoje possui cerca de 30. 

Em Portugal, são consumidas por ano cerca de 13 mil toneladas de caracóis, de várias espécies, por ano. 

Dados de 2014 apontam para mais de 500 toneladas produzidas e três milhões de euros faturados. Desta produção, 80 a 90% tem como destino o mercado nacional, mas em 2014 o país importou 1,1 toneladas, adquiridas a um preço médio de um euro por cada quilograma.

Em contrapartida, exportou 22,6 toneladas, vendendo o produto a um preço médio de três euros o quilograma e tendo como principais mercados a Espanha, França, Itália, os grandes concorrentes de Portugal no mercado externo. Entre os mercados emergentes estão países asiáticos e árabes.

Os helicicultores querem, por isso, valorizar a produção nacional, combatendo a entrada de outras espécies, como a "caracoleta de Marrocos", vendida a baixos preços e sem grande qualidade, e apostando na exportação e na transformação do produto, por exemplo, com a venda de miolo de caracol ou pratos já confecionados.

"É um produto com grande valor nutricional, nomeadamente proteico, e pode substituir muitas carnes, por ter baixo teor de gorduras", explicou Paulo Geraldes, presidente da Helixcoop, que tem sede na Lourinhã.

Os caracóis têm também compostos bioativos que previnem o cancro, motivo pelo qual os ovos e a baba de caracol são procurados pela indústria farmacêutica. O helicicultor adiantou que 1 a 2% da produção tem já esse destino.

A Helixcoop está a desenvolver um projeto para criar a primeira organização de produtores do país, no sentido de organizar a produção e criar canais de comercialização, não só junto de cadeias de hipermercados nacionais, que já absorvem 15 a 20 toneladas, bem como no estrangeiro.

LUSA

O primeiro pastel de nata de caracol

O pastel de nata de caracol é uma das novidades da edição de 2014 do Festival Internacional do Caracol, em Castro Marim, que regressa à Colina do Revelim de Santo António, de sexta a domingo.
Ao longo dos três dias do festival, 14 tasquinhas vão confeccionar perto de três mil litros de caracol preparado "à moda do Algarve" mas também com propostas de chefs franceses, espanhóis, italianos e marroquinos, explicou à agência Lusa a vereadora Filomena Sintra.
O evento, que vai na sexta edição a nível internacional, oferece ao público um "menu" onde o caracol é o ingrediente estrela mas onde não vão faltar a doçaria típica do Algarve, a animação de rua e um cartaz de espectáculo musicais.
O pastel de nata de caracol vai ser apresentado por um participante de Loures que se propõe a apresentar uma nova receita por ano, tendo no ano passado lançado a empada de caracol que este ano volta ao festival com a receita "afinada", explicou a vereadora.
Filomena Sinta explicou ainda que foram preparadas actividades dedicadas aos mais jovens, que incluem acções de sensibilização e informação sobre o caracol e também a iniciativa "adopta o teu caracol".
"As crianças podem levar um caracol para casa", contou a vereadora da cultura da Câmara de Castro Marim acrescentando que as crianças escolhem um caracol, dão-lhe um nome, colocam numa caixa alusiva à iniciativa e levam-no para casa.
Filomena Sintra disse que são esperados milhares de visitantes e que estão a fazer promoção para atrair visitantes espanhóis.
Aquela responsável contou que o número de visitantes espanhóis tem vindo a intensificar-se a cada edição, mas admitiu que a ideia generalizada de que o acesso ao Algarve implica pagamento de portagens não facilita a decisão dos turistas.
"Em todos os nossos materiais gráficos colocamos sempre a frase 'num Algarve sem portagens' mas mesmo assim é difícil" explicar que existem duas saídas não portajadas, comentou a vereadora.
Afirmar Castro Marim como destino dos melhores caracóis do Algarve e potenciar os produtos tradicionais, a cozinha e a cultura mediterrânicas é o objectivo da iniciativa.
O festival abre diariamente às 18:00 e a entrada no recinto e os espectáculos são gratuitos.
Lusa/SOL

Criação de escargots no Brasil é um investimento lucrativo

Aprenda as técnicas de criação e seja um diferencial no mercado


Escargots têm baixo teor de gordura e colesterol

A criação de escargot, também conhecida como helicicultura, destinada ao comércio no Brasil é recente, data do início da década de 80. Antes disso, os moluscos eram criados como atividade meramente esportiva, por hobby. A necessidade de direcionar esse produto ao comércio é oriunda de uma demanda cada vez mais maior em relação a esse tipo de alimento, nobre e saudável. A carne de caracol é rica em diversas substâncias, como proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio. Quando comparada a outras fontes proteicas, ela ainda se destaca pelo seu baixo teor de gordura e colesterol.

Como criar escargots

O curso Escargots: A Tecnologia Correta de Criação, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, ensina como proceder com o planejamento e a instalação desse negócio, como deve ser feito o manejo e o comércio dos moluscos, além de explicar em detalhes como ocorre a reprodução e a prevenção de doenças em escargots. O professor Edson Assis Mendes e o zootecnista José Luiz Machado, ambos do Instituto de Zootecnia da UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, elencam as espécies de escargots e as características que qualificam cada uma delas.

Instalações da helicicultura

Escargots são ricos em proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio

A instalação necessária para que a criação desses moluscos seja iniciada vai depender de diversos fatores, como a quantidade de animais que se pretende criar, o clima e o relevo do local. É imprescindível que o local onde serão depositadas as caixas de criação seja bem fechado para proteger os caracóis de possíveis predadores e para facilitar o controle da temperatura e da umidade. Mendes e Machado citam que um umidificador é suficiente para ambientes de pequenas criações. No entanto, ele pode ser substituído por borrifadores ou bicos aspersores de água.

Sistemas de criação


O professor e o zootecnista elencam e caracterizam os três tipos de criação de moluscos possíveis:
- Sistema extensivo: quando os escargots são criados ao ar livre;
- Sistema semi-intensivo: quando a eclosão dos ovos ocorre em ambiente controlado, mas os moluscos jovens são levados para o ambiente externo depois de 6-8 semanas;
- Sistema intensivo: quando os caracóis são mantidos em cativeiro.

Caixas de criação

Os animais e seus excrementos não lançam mau cheiro no ambiente de criação

As caixas de criação, segundo Mendes e Machado, devem ser mantidas a uma certa distância do chão a fim de facilitar o manuseamento. Esses pés, ou estacas, precisam ser revestidos com um “avental” de plástico ou metal para impedir que possíveis predadores tenham acesso aos caracóis e os ataquem. Essas caixas de criação, normalmente quadradas ou retangulares, não podem ser depositadas em locais que recebam incidência direta de sol e chuva. É recomendado que sejam feitas pequenas aberturas no fundo das caixas para que o excesso de água não se acumule em seu interior. A terra, escura e crivada, deve ser depositada até uma altura de 18-25 cm.

Considerações sobre a comercialização


Mendes e Machado citam as possibilidades de comercialização que podem ser exploradas pelos criadores de escargots:
- venda de escargots vivos para indústrias de conserva;
- venda de carne congelada;
- venda de pratos prontos (congelados ou não);
- venda de conchas para artesanato;
- venda de conchas para produção de ração animal;
- venda de iscas vivas para pescaria.
O mercado consumidor de escargots é formado por restaurantes, hotéis, gourmets shops, supermercados, famílias, indústrias de conserva, exportadores, decoradores, arquitetos, boutiques, indústrias de ração e pesqueiros do tipo “pesque e pague”.

No sistema extensivo, os moluscos são criados ao ar livre

Vantagens da criação de escargots

Entre as vantagens da criação de escargots, pode-se destacar a possibilidade de executarmos tal atividade em pequenas propriedades cujo manejo seja oriundo da mão de obra familiar, tornando-a menos custosa. Além disso, ela dispensa tecnologias avançadas; os animais e os seus excrementos não lançam mau cheiro; as instalações e o manejo são simples, bem como as ferramentas e os equipamentos necessários são baratos.

Por Camila Guimarães Ribeiro

Empresa de Helicicultura Biojogral (Reportagem RTP2)

Uma reportagem bastante interessante acerca da constituição e do funcionamento da empresa Biojogral, dedicada à helicicultura e com uma vertente para prestação de formação nessa área.


Onde comer caracóis em Leiria ? Fica a sugestão.

O calor pede petiscos e há um em particular que é daqueles que ou se ama ou se odeia. É verdade, são eles mesmo: os caracóis, petisco do pobre que com o tempo ganhou reputação de marisco.
Todo o amante de caracóis, em Leiria, conhece a churrasqueira Reis, na Cruz d’Areia. 
Doses bem servidas, caracol rechonchudo e imperial a estalar.  Estivemos lá e atestamos a qualidade do bichinho bem como do tempero. Uma verdadeira delícia!
Nesta casa só entra caracol vivo e gastam-se “à vontade” 60 quilos por semana, diz-nos a custo José Reis, o proprietário. Confiança máxima no fornecedor e receita tradicional, sem extras nem invenções são o truque, já que “não há segredo nenhum, além do facto de serem cozinhados todos os dias”, garante José.
“Os meus caracóis podem comparar-se, em termos de validade, a uma sopa. Não podem ser comparados a esses caracóis que se compram já confeccionados e que duram duas semanas no frigorífico.”
Onde comer caracóis na zona centro de Portugal

Sobre a fama da casa sabe apenas que tem contado com “o boca-a boca dos clientes satisfeitos e do serviço take-away”, já que boa parte das vendas é feita para fora, “o que acaba por ajudar a que outras pessoas fiquem a conhecer, mesmo sem vir cá”, explica.
A Churrasqueira Reis existe há 13 anos e a fama do caracol foi crescendo. Diz quem domina o assunto que “aquilo dos meses com R não é verdade” [diz-se que os caracóis só estão bons para comer nos meses sem R, ou seja de Maio a Agosto], e que “para o caracol ser bom basta haver sol, pelo que de Abril a meados de Setembro há bons caracóis”, garante José.
Mas como grande parte do caracol que comemos é importado, até se podia comer o ano inteiro. Só que os hábitos e a cultura não se mudam assim por dá cá aquela palha, pelo que caracol só com sol.
É verdade, este ano tem-nos faltado o sol e depois quem paga é o caracol.
Churrasqueira Reis
Rua Lino António, lote 53, r/c esq.
Cruz d’Areia – Leiria
Telefone: 244 802 410
Horário: segunda a sábado, das 9h30 às 2h
Encerra ao domingo
Petiscos até às 22h
Outros petiscos: moelas, pipis, pataniscas, orelha assada, chamuças, etc.

Ovos de Caracol - O "Caviar Branco"

É conhecido como "caviar branco" e vendido a cerca de mil euros o quilo.
Trata-se do ovo de caracol que está a ser estudado pela Universidade do Algarve. Comentários de Isabel Carvalho, coordenadora "Food Science Lab".


Formação em Helicicultura



O termo “helicicultura” deriva dos vocábulos latinos “Helix” (Tipo de caracol) e “Cultivare” (Cultivar). 
A definição consensual de helicicultura é “Criação sistematizada em cativeiro, com fins comerciais, de caracóis terrestres comestíveis.” 

Vários leitores nos questionaram acerca da realização de acções de formação para helicicultores.
O nosso conselho é invariavelmente o de que procurem contactar produtores já estabelecidos que possam proporcionar-lhes essa formação, sendo que o ideal seria o formato de estágio com integração temporária nas equipas de trabalho.
Não há nada melhor do que aprender 'no terreno', na prática, literalmente com as mãos na terra.


Porém, quando se pretende complementar o conhecimento prático com uma base sólida de informação teórica, a estrutura ideal para a formação em helicicultura será sempre aproximada da que a seguir se elenca:


Objectivos

  • Efectuar as operações inerentes ao maneio alimentar, reprodutivo, higio-sanitário e produtivo de uma criação de caracóis.
Conteúdos

  • Importância sócio-económica
  • Produção e consumo
  • Espécies comerciais utilizadas, características e distribuição geográfica
  • Morfologia externa e interna
  • Costumes do caracol - diários, anuais, hibernação e período estival
  • Enquadramento legal das explorações de helicicultura
  • Registos oficiais
  • Sistemas de criação de caracóis
    • Sistema de criação de ciclo biológico completo
    • Sistema de criação misto
  • Instalações e equipamentos
    • Instalações - naves, estufas, parques, refúgios, salas de reprodução, cria e engorda; organização do espaço e circuitos
    • Características do terreno
    • Equipamentos - de aquecimento, de alimentação, de iluminação, de reprodução, de postura, de limpeza e desinfecção; cercas dos parques; sistemas anti-fuga
  • Maneio alimentar de caracóis
    • Necessidades nutritivas e alimentares dos caracóis
    • Tipo de alimentação e culturas para os caracóis
    • Operações relativas à alimentação
      • - Cálculo de dietas
      • - Operações de preparação e distribuição de alimentos
      • - Distúrbios alimentares – identificação e intervenção de urgência
  • Maneio reprodutivo de caracóis
    • Selecção de reprodutores
    • Côrte e cópula
    • Reprodução e factores condicionantes - luminosidade, temperatura, humidade, carga biótica, raça e idade
    • Postura de ovos - períodos e quantidades; factores condicionantes da postura
    • Incubação e eclosão
    • Operações relativas à reprodução
  • Maneio higio-sanitário de caracóis
    • Operações de limpeza e higienização das instalações, equipamentos e animais
    • Operações de tratamento - doenças, desparasitação
    • Operações de eliminação dos predadores
  • Maneio produtivo de caracóis
    • Incubação e eclosão dos ovos
    • Gestão da maternidade e duração deste período
    • Engorda
      • - Programa alimentar e densidade de caracóis
      • - Operações de alimentação e engorda
    • Recolha dos caracóis - tamanho e peso adequado
  • Comercialização - formas de comercialização do produto, normas de higiene e segurança alimentar, transporte, embalagem e rotulagem
  • Registos e consulta de informação
  • Tratamento de resíduos da exploração
  • Boas práticas de segurança, higiene e saúde no trabalho

Praga na Europa: verme ameaça caracóis de extinção

Chega à Europa uma praga que ameaça os caracóis de extinção.
Importante ameaça à biodiversidade em França e na Europa.

Os caracóis que fazem as delícias dos portugueses durante os meses de verão podem ter os dias contados, e a culpa é de uma praga. 
Verme-Nova Guiné
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari )
A 'catástrofe' pode começar em França, onde o caracol é um prato típico, caso o país não consiga deter a invasão de um verme achatado e viscoso do sudeste asiático, alertaram os cientistas.

O Verme-Nova Guiné, como é conhecido, integra a lista das 100 espécies invasoras mais perigosas do mundo, pois tem um apetite voraz por caracóis e minhocas. 
Os trabalhadores de um jardim botânicos em Caen, na Normandia, foram chamados para analisar um verme estranho, escuro, com cabeça em forma de bolacha, que havia nas plantas de uma estufa local. Uma reportagem da revista 'PeerJ', na terça-feira, revelou que os especialistas confirmaram, através de testes de ADN, os piores receios: o 'Platydemus Manokwari' chegou à Europa. 
Platydemus Manokwari
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari )

"Esta espécie é extremamente invasiva", contou Jean-Lou Justine, do Museu Nacional de História Natural. "Por isso, espero que a praga possa ser travada ainda nos estágios iniciais." E acrescentou: "Todos os caracóis na Europa podem ser dizimados e isso teria um enorme impacto na culinária francesa e não só." 
O Platydemus Manokwari tem cerca de cinco centímetros de comprimento por cinco milímetros de largura. A parte traseira é verde-azeitona e preta, tem abarriga branca onde se pode encontrar a boca, a sua maior arma. A cabeça é alongada, com dois proeminentes olhos negros. 



O verme pode apanhar os caracóis em qualquer parte, visto que se deslocam da mesma forma, e forçá-los a sair da casca. Os biólogos estão alarmados com o seu apetite. 
Platydemus Manokwari
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari ) mata caracóis
O habitat original do verme é as montanhas da Nova Guiné, em altitudes de 3.000 metros, onde a temperatura é moderada. Testes demonstraram que o verme pode sobreviver a temperaturas abaixo de 10 graus Celsius, o que lhe dá uma grande capacidade de sobrevivência em quase todas as regiões do globo. "Platydemus Manokwari representa uma nova e importante ameaça à biodiversidade em França e na Europa, que abriga centenas de espécies de caracóis, algumas das quais ameaçadas de extinção e protegidas", alerta o artigo da 'PeerJ'. "Por isso, é importante considerar a implementação de medidas de erradicação e controlo deste verme.”

Verme é capaz de seguir o rastro dos caracóis

Classificado entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo, este verme foi intencionalmente introduzido na Nova Guiné, como um agente biológico para controlar pragas de caracóis. Ele é capaz de seguir as suas "faixas", subir ás árvores para encontrar as presas e até mesmo fazer ataques gregários do tipo de "gangues organizados" .

Para os cientistas que fizeram a descoberta é urgente  atacar já a praga para evitar a proliferação desta espécie. Já existe um evento precedente no norte das ilhas britânicas por uma outra espécie de verme, o triangulatus Arthurdendyus, vindo da Nova Zelândia que foi responsável, de acordo com os pesquisadores, por "reduções significativas nas populações de minhocas" resultando num possível declínio na fertilidade do solo.

Helicicultura em análise

Helicicultura
O termo “helicicultura” deriva dos vocábulos latinos “Helix” (Tipo de caracol) e “Cultivare”
(Cultivar). 

A definição consensual de helicicultura é: “A criação sistematizada em cativeiro, com fins comerciais, de caracóis terrestres comestíveis.”

Com o aparecimento das primeiras quintas helicícolas nos anos 70, nascem duas formas distintas de criar caracóis, as mesmas que são usadas ainda hoje com mais ou menos adaptações. O método italiano ou “Ciclo Biológico Completo”, onde os animais são criados em grandes parques de terreno a céu aberto, ou o método francês , ou “sistema intensivo”, onde os animais são criados em mesas específicas colocadas em recintos fechados, com parâmetros de luz, temperatura e humidade controlados e alimentados exclusivamente com raçõespróprias para helicicultura .

A caracoleta (Helix Aspersa)
É criada ao ar livre de forma semi-intensiva e alimentada principalmente por vegetação cultivada para o efeito (de acordo com as normas de cultivo biológico) e por um complemento alimentar à base de cálcio, de forma a garantir a correcta formação da sua concha ao longo de toda a sua vida.
Antes de serem embaladas, todas as caracoletas passam individualmente por um complexo processo de selecção manual, expurgo e secagem. Desta forma é garantido que só são embalados animais vivos, limpos e prontos a consumir.
A carne da caracoleta é uma carne de excelente qualidade para consumo: é branca, firme e de textura rugosa, tem um elevado teor proteico, um baixo nível de colesterol e é rica em vitaminas, sais minerais e ferro, factores que levam a que o caracol seja um alimento bastante saudável.

Utilização culinária
As caracoletas são normalmente consumidas grelhadas, mas também podem ser utilizadas em guisados, caldeiradas e feijoadas.



UM PRODUTOR NACIONAL EM DESTAQUE
helicicultura
João Lopes, proprietário da empresa helicícola Biojogral

“Inspirados pelas criações helicícolas francesas, italianas e espanholas, respondendo a um mercado ávido do consumo de caracoletas, embarcámos nesta aventura, de modo a responder a requisições maioritariamente
alimentadas pela importação. A este projecto juntaram-se então mais dois membros da família,
um informático e uma jornalista, apaixonados por estes pequenos animais que andam sempre com a casa às costas.”, diz o Sr. João Lopes.

“Temos hoje a maior exploração helicícola do país, com 5 ha e uma produção de 100 toneladas anuais”, acrescenta.


Segurança alimentar na produção de caracóis

Controlo da alimentação de base vegetal


Essencialmente dois motivos levam a que alguém decida dedicar-se à helicicultura.
O primeiro prende-se com o interesse em proteger uma determinada espécie e desta forma melhorar aquilo que a natureza nos oferece.
O segundo motivo é de ordem económica, o que faz com que muitos tenham a ideia de que a helicicultura é um negócio muito rentável. Contudo, pode não ser, pois é uma arte de difícil execução. O caracol tem como base um ecossistema frágil e actualmente enfrenta alguns perigos, como a poluição ambiental, o excesso de procura e as formas de agricultura agressiva.
A criação de caracóis comestíveis em cativeiro (Helix Aspersa Máxima e Helix Aspersa Muller) está a evoluir lentamente em Portugal e promete ser um nicho de mercado promissor. Praticada há quase meio século em alguns países europeus, nomeadamente em França e na Itália, está só agora a dar os primeiros passos na Península Ibérica. Nos últimos anos, o aumento da procura deste molusco para consumo humano fez com que os métodos de produção passassem a ser semi-industriais.
De uma forma geral, podemos considerar três métodos distintos de produção de caracóis.
Um sistema intensivo de exploração, no qual os animais são criados em bancadas sobrepostas. Estes locais encontram-se completamente fechados e as condições de temperatura, humidade e luz solar são monitorizadas de forma permanente, no sentido de possibilitar um maior número de posturas por ano e assim maximizar os rendimentos.
Um segundo método baseia-se na criação dos animais o mais aproximadamente possível do seu ambiente natural – em canteiros a céu aberto, com sementeiras específicas, a fim de proporcionar o alimento e o abrigo necessários. Este processo de criação apresenta uma taxa de mortalidade muito elevada, pelo que se torna menos rentável economicamente que o anterior.
Por último, e talvez o mais inovador dos métodos de criação de caracóis para consumo humano, é aquele que de alguma forma conjuga os dois métodos anteriormente mencionados. Separa as três fases cruciais da vida de um caracol – postura, eclosão dos ovos e engorda. Deste modo, é possível abordar cada uma das etapas tendo em conta a sua especificidade, melhorando assim a prestação final: maior número de nascimentos e menor número de mortes.


Exigências da criação de caracóis

São de salientar alguns pontos que diariamente devem ser tidos em conta aquando do processo de criação de caracóis:
criação de caracois
Crias de caracóis

- Sanidade: Esta é de extrema importância neste tipo de exploração animal. Humidade e temperatura amena são ambientes ideais para a propagação de doenças
Assim, existe a necessidade de manter as instalações sempre limpas, sem excrementos, restos de alimentos e de animais mortos para, deste modo, evitar ao máximo o aparecimento de doenças. As doenças dos caracóis encontram-se pouco estudadas e, como tal, nem sempre é fácil prever e prevenir patologias. É pois impreterível a máxima higiene das instalações e dos equipamentos.
Bactérias, ácaros e nemátodos são as principais origens das doenças e parasitoses que afectam mortalmente o caracol. As bactérias existem naturalmente no tubo digestivo dos caracóis e causam problemas quando existe uma acumulação de excrementos ou quando a alimentação escasseia. Os ácaros são também perigosos, provocando reduções muito significativas no rendimento das culturas quando se encontram em grandes quantidades nas explorações. Por último, os nemátodos – parasitas que invadem os intestinos e outros órgãos do caracol – provocam, por exemplo, danos no sistema reprodutor deste.

- Condições ambientais: Temperatura, humidade e iluminação. A temperatura ideal para o desenvolvimento do caracol ronda os 200C. Abaixo dos 100C o animal reduz significativamente o seu metabolismo interno, podendo entrar em estado de hibernação.
Acima dos 300C, os caracóis entram em estivação, especialmente se a humidade relativa for baixa. Humidade relativa é outro factor importante para o caracol. Estes preferem valores de humidade relativa entre os 70% e os 90%. No que toca à iluminação, o caracol não gosta que a luz solar incida directamente nele, pois seca-lhe a pele. Desta forma, caracteriza-se por ser um animal que gosta de sombra, mas necessita de 12 a 18 horas de luz solar por dia.

- Maneio diário: Nos cuidados diários há que ter atenção às condições de temperatura, humidade e inspecção dos locais onde permanecem animais, com o objectivo de verificar o seu comportamento e detectar e capturar os animais mortos. Os termómetros devem ser de fácil leitura e de preferência com indicadores de temperaturas máximas e mínimas. De igual modo, os higrómetros devem estar localizados estrategicamente por toda a área. Sempre que necessário, as instalações e equipamentos devem ser lavados, de modo a serem removidos os restos de ração e dejectos dos animais.

 Implementação de sistemas de HACCP
ovos de caracol
Ovos de caracol


No que toca à aplicabilidade da metodologia HACCP como forma de analisar metodicamente todo o processo e de determinar de modo exacto todos os potenciais perigos existentes, conclui-se que:

- São altamente recomendáveis todas as boas práticas descritas anteriormente, actuando estas como medidas de controlo no decorrer dos diversos processos;
- Os terrenos devem ser alvo de um período de descanso e de uma limpeza. A estabilização dos mesmos deve ser efectuada, por exemplo, através da aplicação de cal viva. Desta forma, são possíveis terrenos mais férteis e saudáveis para posteriores engordas;
- É de extrema importância a elaboração de cadernos de encargos, onde são registadas todas as operações diárias realizadas. Só assim é possível executar um tratamento estatístico dos dados e perceber, por exemplo, o efeito das variações climatéricas na biologia do animal. E desta forma melhorar os processos internos;
- Tendo em conta que em explorações intensivas o alimento disposto naturalmente ao caracol é insuficiente, existe a necessidade de complemento alimentar através de ração composta para caracóis. Neste caso, pode ser usado o milho e a soja, não descurando a importância do fornecimento de cálcio;
- Considerando a vulnerabilidade biológica do caracol quando afectado por algum tipo de contaminação biológica, este sucumbe quase de imediato. Daí que não tenha sido identificado nenhum tipo de patogénico alimentar humano em níveis considerados inaceitáveis;
- Em relação às contaminações químicas, aí sim consideraram-se relevantes e com significância elevada. No fundo, estamos a trabalhar num terreno agrícola, onde não conhecemos completamente o passado das terras e, sobretudo, as alterações/contaminações a que estão sujeitos os lençóis de água de abastecimento (por norma o abastecimento de água é realizado através de captações próprias). É importante a monitorização dos valores analíticos deste elemento.

Não descurando a legislação que enquadra o caracol como elemento sujeito a controlo analítico no que respeita à microbiologia (gastrópode vivo), considera-se da maior relevância, do ponto de vista da segurança alimentar, ter igualmente em conta a presença de elementos químicos neste molusco. Como forma de avaliar aquilo que se designa por ponto crítico de controlo (PCC), aconselha-se a realização de uma análise laboratorial a uma panóplia de substâncias químicas – pesticidas (p.ex. piretróides), imediatamente antes de iniciar a apanha do animal para venda. Conseguiremos, assim, ter uma garantia fiável de que aquilo que se irá comercializar é seguro para o consumidor.

Artigo de Fernando Amaro, coordenador técnico de Higiene e Segurança Alimentar
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