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Curso de Helicicultura (Formação teórica e práctica) - Agosto 2015


Olá amigos.
Hoje trazemos boas notícias para os amantes da helicicultura que pretendam receber formação nesta área quer seja por interesse pessoal ou para se iniciarem na produção de caracóis.



A formação que vai acontecer já no próximo mês de Agosto terá lugar na região de Lisboa, mais concretamente em Odivelas, e terá a seguinte constituição:

  • Tipo: Curso teórico com visita à unidade de produção. 

  • Carga horária: 25 horas (21 teóricas + 4 práticas) Divididas em 5 sessões de 5 horas cada 

  • Objectivo: No final do curso os formandos deverão saber efectuar as operações relativas ao maneio alimentar, reprodutivo, higienosanitário e produtivo de uma exploração helicícola. 


Esta formação vai munir o novo Helicicultor dos conhecimentos obrigatórios para produzir caracoleta de alta qualidade com custos baixos de produção. 

Como vai ser? Nesta formação vão ser abordadas todas as temáticas fundamentais à gestão de uma unidade helicícola para engorda de caracoleta. Vai ficar a saber todos os aspectos relativos à identificação dos hábitos e morfologia dos animais, passando pela preparação dos parques, cálculo de dietas, reprodução, cuidados higienossanitários, controlo de pragas, engorda, apanha, purga, embalamento e transporte

Curso de Helicicultura (Formação teórica e práctica) - Agosto 2015

Caracoleta Alentejana

[...] Casa Branca, no concelho de Sousel, saem por ano cerca de 40 toneladas de caracoletas para as lojas de uma cadeia da grande distribuição. Os responsáveis por este negócio são marido e mulher. António e Stela. [...] 

 [...] Hoje o negócio prosperou e as suas caracoletas, através das lojas Pingo Doce, são distribuídas em todo o País, quer no verão, altura forte de venda, quer no fim de ano, uma data que se tem revelado boa para o escoamento do produto. [...]

in Diário do Alentejo

Caracóis portugueses estão na moda

Produção já ultrapassou as 500 toneladas por ano e dá três milhões de euros.
A produção de caracóis em Portugal ultrapassou as 500 toneladas por ano. Segundo os dados divulgados esta quinta-feira na Lourinhã, no I Encontro Nacional de Helicicultores, está em causa um rendimento na ordem dos três milhões de euros.
De acordo com Paulo Geraldes, presidente da Cooperativa dos Helicicultores, há em Portugal cerca de 150 produtores espalhados de norte a sul do país. Este número equivale a uma área de produção de 300 hectares.
Nos últimos três anos o aumento de produtores foi na ordem dos 200% e deveu-se em parte ao financiamento comunitário. Este apoio por parte da União Europeia tem sido fundamental para a divulgação do produto a nível internacional e consequente incremento da produção e consumo interno.
Falamos de 13 mil toneladas de caracóis. Este é o número do consumo desta iguaria em Portugal. E embora seja um valor considerável, o alvo dos produtores é o mercado da exportação. Quando questionado sobre a razão para “ocupar” o mercado internacional com caracol português, Paulo Geraldes indica que “a qualidade do nosso produto” é de facto o elemento-chave.
Actualmente os países que fazem parte da lista de exportação são a Espanha, França e Itália e tem como mercados emergentes o asiático e o árabe. Geraldes volta a referir a qualidade como factor diferenciador “na promoção e aposta da comercialização internacional da helicicultura”.
Os mais jovens também estão interessados na produção de caracóis. Paulo Geraldes refere que os agricultores mais jovens são os que mais têm investido na área e mostram mais vontade de expandir e melhorar a qualidade do caracol português. “Os jovens agricultores fazem neste momento uma série de opções e análises dessas opções e alguns enveredam por outras áreas, como a pêra abacate, na zona sul, e os pequenos frutos, as ervas aromáticas, os cogumelos e alguns pela helicicultura”.

Boa hipótese para se iniciar na criação de caracóis


Um leitor teve a simpatia de nos informar de um anúncio no OLX em que uma empresa de criação de caracóis, além da venda de alevins e reprodutores, aceita dar formação a quem pretenda iniciar-se na helicicultura mediante condições a combinar.

Como as formações nesta área são muito raras, e normalmente bastante caras, fica a dica para uma boa oportunidade através da qual, se optarem por iniciar-se, poderão ter a vantagem de conhecer profundamente a origem e qualidade dos vossos próprios reprodutores e alevins.


A empresa situa-se em Barcelos e os interessados podem contactar através do telemóvel  911 580 716.

 Quer iniciar uma criação de caracóis ?







A produção de caracóis de Samuel Henriques

Samuel Henriques esteve sete anos nos pára-quedistas, em Tancos. Aproveitando a cessação do contrato, a vontade de montar um negócio e a busca por uma situação melhor da que lhe proporcionava o vencimento da Força Aérea, este ex-militar decidiu-se a criar caracóis, fixando para o primeiro ano uma meta que ronde as dez toneladas. A experiência piloto decorre neste momento no Peso (Santa Catarina).
A ideia de ser helicicultor (produtor de caracóis) surgiu por acaso quando, devido a um problema de saúde, o então pára-quedista esteve internado no hospital do Lumiar, antigo hospital da Força Aérea, entre Abril e Julho de 2013. Com tempo livre de sobra, Samuel Henriques fez abundantes pesquisas na Internet para a criação de caracóis, um projecto que o seu pai iniciara, sem sucesso, há 15 anos.
O seu primeiro projecto nesta área, iniciado em Setembro do ano passado, contava com um parque na freguesia de Salir de Matos, em que os caracóis eram alimentados só com produtos biológicos. “Mas não dava lucro porque demorava entre oito a 12 meses até o caracol ficar feito” contou.
Por isso, decidiu abandonar as boas intenções de criar um produto biológico e resolveu apostar numa farinha própria para alimentar caracóis. É que, no fim de contas, o mercado nacional não faz distinção entre os caracóis que são alimentados biologicamente e os que não o são. Por outro lado, ao reduzir o tempo de crescimento em um terço, consegue-se assim acelerar o processo de crescimento que passa a ser inferior a quatro meses.
A partir de Fevereiro deste ano o projecto ganhou, assim, nova forma. Samuel Henriques diz que objectivo passa agora por “perceber o quão rentável pode ser este negócio”. Um negócio que passa por comprar um lote inicial de caracóis pequenos, que depois crescem e se reproduzem. Para o fim deste mês, o helicicultor já prevê uma produção de oito toneladas destes moluscos.
Cada quilo de caracóis pode ser vendido a 2,50 euros no mercado nacional. Mas a aposta é na exportação, até porque “o mercado interno é difícil porque entra muito caracol de Marrocos com o qual é impossível competir” contou o empresário. Os preços que os produtores do Norte de África conseguem alcançar, “apesar de o caracol deles não ter tanta qualidade, são muitos mais baixos, visto que lá se praticam salários mais baixos também” disse.
A solução passa por exportar os caracóis para Espanha, Suíça, Itália e França.
“Potenciar os terrenos”
Inicialmente a ideia de Samuel Henriques era produzir morangos em regime de hidroponia com o apoio do PRODER, mas “não sabia como escoar 70 toneladas de morangos”, e entretanto os prazos para as candidaturas cessaram. O ex-militar sentia necessidade de “potenciar os terrenos” que possui no Peso (Santa Catarina) até porque ficou convencido que os caracóis “têm uma margem de lucro superior à dos morangos”. Por outro lado, o investimento inicial era reduzido, visto que já possuía “pequenas parcelas de terreno, água e as mangueiras” disse à Gazeta das Caldas.
Foi assim com muitas horas de trabalho dele próprio que conseguiu criar um habitat propício às espécies Helix Aspersa Maxima e Petis Gris.
Neste caso, o investimento foi reduzido, mas geralmente, para criar caracóis a céu aberto  num terreno de 2500 m2 são precisos 10.000 euros. Em estufa já ronda os 60.000 euros, mas com a vantagem é que a estufa permite produzir ao longo de todo o ano.
Samuel Henriques explica que um investimento deste tipo, para ser rentável, necessita de um mínimo de meio hectare, que possibilita produzir dez toneladas de caracóis a cada quatro meses.
Artigo de Isaque Vicente in Gazeta das Caldas

Criação de escargots no Brasil é um investimento lucrativo

Aprenda as técnicas de criação e seja um diferencial no mercado


Escargots têm baixo teor de gordura e colesterol

A criação de escargot, também conhecida como helicicultura, destinada ao comércio no Brasil é recente, data do início da década de 80. Antes disso, os moluscos eram criados como atividade meramente esportiva, por hobby. A necessidade de direcionar esse produto ao comércio é oriunda de uma demanda cada vez mais maior em relação a esse tipo de alimento, nobre e saudável. A carne de caracol é rica em diversas substâncias, como proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio. Quando comparada a outras fontes proteicas, ela ainda se destaca pelo seu baixo teor de gordura e colesterol.

Como criar escargots

O curso Escargots: A Tecnologia Correta de Criação, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, ensina como proceder com o planejamento e a instalação desse negócio, como deve ser feito o manejo e o comércio dos moluscos, além de explicar em detalhes como ocorre a reprodução e a prevenção de doenças em escargots. O professor Edson Assis Mendes e o zootecnista José Luiz Machado, ambos do Instituto de Zootecnia da UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, elencam as espécies de escargots e as características que qualificam cada uma delas.

Instalações da helicicultura

Escargots são ricos em proteína, cálcio, ferro, magnésio e sódio

A instalação necessária para que a criação desses moluscos seja iniciada vai depender de diversos fatores, como a quantidade de animais que se pretende criar, o clima e o relevo do local. É imprescindível que o local onde serão depositadas as caixas de criação seja bem fechado para proteger os caracóis de possíveis predadores e para facilitar o controle da temperatura e da umidade. Mendes e Machado citam que um umidificador é suficiente para ambientes de pequenas criações. No entanto, ele pode ser substituído por borrifadores ou bicos aspersores de água.

Sistemas de criação


O professor e o zootecnista elencam e caracterizam os três tipos de criação de moluscos possíveis:
- Sistema extensivo: quando os escargots são criados ao ar livre;
- Sistema semi-intensivo: quando a eclosão dos ovos ocorre em ambiente controlado, mas os moluscos jovens são levados para o ambiente externo depois de 6-8 semanas;
- Sistema intensivo: quando os caracóis são mantidos em cativeiro.

Caixas de criação

Os animais e seus excrementos não lançam mau cheiro no ambiente de criação

As caixas de criação, segundo Mendes e Machado, devem ser mantidas a uma certa distância do chão a fim de facilitar o manuseamento. Esses pés, ou estacas, precisam ser revestidos com um “avental” de plástico ou metal para impedir que possíveis predadores tenham acesso aos caracóis e os ataquem. Essas caixas de criação, normalmente quadradas ou retangulares, não podem ser depositadas em locais que recebam incidência direta de sol e chuva. É recomendado que sejam feitas pequenas aberturas no fundo das caixas para que o excesso de água não se acumule em seu interior. A terra, escura e crivada, deve ser depositada até uma altura de 18-25 cm.

Considerações sobre a comercialização


Mendes e Machado citam as possibilidades de comercialização que podem ser exploradas pelos criadores de escargots:
- venda de escargots vivos para indústrias de conserva;
- venda de carne congelada;
- venda de pratos prontos (congelados ou não);
- venda de conchas para artesanato;
- venda de conchas para produção de ração animal;
- venda de iscas vivas para pescaria.
O mercado consumidor de escargots é formado por restaurantes, hotéis, gourmets shops, supermercados, famílias, indústrias de conserva, exportadores, decoradores, arquitetos, boutiques, indústrias de ração e pesqueiros do tipo “pesque e pague”.

No sistema extensivo, os moluscos são criados ao ar livre

Vantagens da criação de escargots

Entre as vantagens da criação de escargots, pode-se destacar a possibilidade de executarmos tal atividade em pequenas propriedades cujo manejo seja oriundo da mão de obra familiar, tornando-a menos custosa. Além disso, ela dispensa tecnologias avançadas; os animais e os seus excrementos não lançam mau cheiro; as instalações e o manejo são simples, bem como as ferramentas e os equipamentos necessários são baratos.

Por Camila Guimarães Ribeiro

Empresa de Helicicultura Biojogral (Reportagem RTP2)

Uma reportagem bastante interessante acerca da constituição e do funcionamento da empresa Biojogral, dedicada à helicicultura e com uma vertente para prestação de formação nessa área.


Ovos de Caracol - O "Caviar Branco"

É conhecido como "caviar branco" e vendido a cerca de mil euros o quilo.
Trata-se do ovo de caracol que está a ser estudado pela Universidade do Algarve. Comentários de Isabel Carvalho, coordenadora "Food Science Lab".


Formação em Helicicultura



O termo “helicicultura” deriva dos vocábulos latinos “Helix” (Tipo de caracol) e “Cultivare” (Cultivar). 
A definição consensual de helicicultura é “Criação sistematizada em cativeiro, com fins comerciais, de caracóis terrestres comestíveis.” 

Vários leitores nos questionaram acerca da realização de acções de formação para helicicultores.
O nosso conselho é invariavelmente o de que procurem contactar produtores já estabelecidos que possam proporcionar-lhes essa formação, sendo que o ideal seria o formato de estágio com integração temporária nas equipas de trabalho.
Não há nada melhor do que aprender 'no terreno', na prática, literalmente com as mãos na terra.


Porém, quando se pretende complementar o conhecimento prático com uma base sólida de informação teórica, a estrutura ideal para a formação em helicicultura será sempre aproximada da que a seguir se elenca:


Objectivos

  • Efectuar as operações inerentes ao maneio alimentar, reprodutivo, higio-sanitário e produtivo de uma criação de caracóis.
Conteúdos

  • Importância sócio-económica
  • Produção e consumo
  • Espécies comerciais utilizadas, características e distribuição geográfica
  • Morfologia externa e interna
  • Costumes do caracol - diários, anuais, hibernação e período estival
  • Enquadramento legal das explorações de helicicultura
  • Registos oficiais
  • Sistemas de criação de caracóis
    • Sistema de criação de ciclo biológico completo
    • Sistema de criação misto
  • Instalações e equipamentos
    • Instalações - naves, estufas, parques, refúgios, salas de reprodução, cria e engorda; organização do espaço e circuitos
    • Características do terreno
    • Equipamentos - de aquecimento, de alimentação, de iluminação, de reprodução, de postura, de limpeza e desinfecção; cercas dos parques; sistemas anti-fuga
  • Maneio alimentar de caracóis
    • Necessidades nutritivas e alimentares dos caracóis
    • Tipo de alimentação e culturas para os caracóis
    • Operações relativas à alimentação
      • - Cálculo de dietas
      • - Operações de preparação e distribuição de alimentos
      • - Distúrbios alimentares – identificação e intervenção de urgência
  • Maneio reprodutivo de caracóis
    • Selecção de reprodutores
    • Côrte e cópula
    • Reprodução e factores condicionantes - luminosidade, temperatura, humidade, carga biótica, raça e idade
    • Postura de ovos - períodos e quantidades; factores condicionantes da postura
    • Incubação e eclosão
    • Operações relativas à reprodução
  • Maneio higio-sanitário de caracóis
    • Operações de limpeza e higienização das instalações, equipamentos e animais
    • Operações de tratamento - doenças, desparasitação
    • Operações de eliminação dos predadores
  • Maneio produtivo de caracóis
    • Incubação e eclosão dos ovos
    • Gestão da maternidade e duração deste período
    • Engorda
      • - Programa alimentar e densidade de caracóis
      • - Operações de alimentação e engorda
    • Recolha dos caracóis - tamanho e peso adequado
  • Comercialização - formas de comercialização do produto, normas de higiene e segurança alimentar, transporte, embalagem e rotulagem
  • Registos e consulta de informação
  • Tratamento de resíduos da exploração
  • Boas práticas de segurança, higiene e saúde no trabalho

Praga na Europa: verme ameaça caracóis de extinção

Chega à Europa uma praga que ameaça os caracóis de extinção.
Importante ameaça à biodiversidade em França e na Europa.

Os caracóis que fazem as delícias dos portugueses durante os meses de verão podem ter os dias contados, e a culpa é de uma praga. 
Verme-Nova Guiné
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari )
A 'catástrofe' pode começar em França, onde o caracol é um prato típico, caso o país não consiga deter a invasão de um verme achatado e viscoso do sudeste asiático, alertaram os cientistas.

O Verme-Nova Guiné, como é conhecido, integra a lista das 100 espécies invasoras mais perigosas do mundo, pois tem um apetite voraz por caracóis e minhocas. 
Os trabalhadores de um jardim botânicos em Caen, na Normandia, foram chamados para analisar um verme estranho, escuro, com cabeça em forma de bolacha, que havia nas plantas de uma estufa local. Uma reportagem da revista 'PeerJ', na terça-feira, revelou que os especialistas confirmaram, através de testes de ADN, os piores receios: o 'Platydemus Manokwari' chegou à Europa. 
Platydemus Manokwari
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari )

"Esta espécie é extremamente invasiva", contou Jean-Lou Justine, do Museu Nacional de História Natural. "Por isso, espero que a praga possa ser travada ainda nos estágios iniciais." E acrescentou: "Todos os caracóis na Europa podem ser dizimados e isso teria um enorme impacto na culinária francesa e não só." 
O Platydemus Manokwari tem cerca de cinco centímetros de comprimento por cinco milímetros de largura. A parte traseira é verde-azeitona e preta, tem abarriga branca onde se pode encontrar a boca, a sua maior arma. A cabeça é alongada, com dois proeminentes olhos negros. 



O verme pode apanhar os caracóis em qualquer parte, visto que se deslocam da mesma forma, e forçá-los a sair da casca. Os biólogos estão alarmados com o seu apetite. 
Platydemus Manokwari
Verme-Nova Guiné ( Platydemus Manokwari ) mata caracóis
O habitat original do verme é as montanhas da Nova Guiné, em altitudes de 3.000 metros, onde a temperatura é moderada. Testes demonstraram que o verme pode sobreviver a temperaturas abaixo de 10 graus Celsius, o que lhe dá uma grande capacidade de sobrevivência em quase todas as regiões do globo. "Platydemus Manokwari representa uma nova e importante ameaça à biodiversidade em França e na Europa, que abriga centenas de espécies de caracóis, algumas das quais ameaçadas de extinção e protegidas", alerta o artigo da 'PeerJ'. "Por isso, é importante considerar a implementação de medidas de erradicação e controlo deste verme.”

Verme é capaz de seguir o rastro dos caracóis

Classificado entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo, este verme foi intencionalmente introduzido na Nova Guiné, como um agente biológico para controlar pragas de caracóis. Ele é capaz de seguir as suas "faixas", subir ás árvores para encontrar as presas e até mesmo fazer ataques gregários do tipo de "gangues organizados" .

Para os cientistas que fizeram a descoberta é urgente  atacar já a praga para evitar a proliferação desta espécie. Já existe um evento precedente no norte das ilhas britânicas por uma outra espécie de verme, o triangulatus Arthurdendyus, vindo da Nova Zelândia que foi responsável, de acordo com os pesquisadores, por "reduções significativas nas populações de minhocas" resultando num possível declínio na fertilidade do solo.

Helicicultura em análise

Helicicultura
O termo “helicicultura” deriva dos vocábulos latinos “Helix” (Tipo de caracol) e “Cultivare”
(Cultivar). 

A definição consensual de helicicultura é: “A criação sistematizada em cativeiro, com fins comerciais, de caracóis terrestres comestíveis.”

Com o aparecimento das primeiras quintas helicícolas nos anos 70, nascem duas formas distintas de criar caracóis, as mesmas que são usadas ainda hoje com mais ou menos adaptações. O método italiano ou “Ciclo Biológico Completo”, onde os animais são criados em grandes parques de terreno a céu aberto, ou o método francês , ou “sistema intensivo”, onde os animais são criados em mesas específicas colocadas em recintos fechados, com parâmetros de luz, temperatura e humidade controlados e alimentados exclusivamente com raçõespróprias para helicicultura .

A caracoleta (Helix Aspersa)
É criada ao ar livre de forma semi-intensiva e alimentada principalmente por vegetação cultivada para o efeito (de acordo com as normas de cultivo biológico) e por um complemento alimentar à base de cálcio, de forma a garantir a correcta formação da sua concha ao longo de toda a sua vida.
Antes de serem embaladas, todas as caracoletas passam individualmente por um complexo processo de selecção manual, expurgo e secagem. Desta forma é garantido que só são embalados animais vivos, limpos e prontos a consumir.
A carne da caracoleta é uma carne de excelente qualidade para consumo: é branca, firme e de textura rugosa, tem um elevado teor proteico, um baixo nível de colesterol e é rica em vitaminas, sais minerais e ferro, factores que levam a que o caracol seja um alimento bastante saudável.

Utilização culinária
As caracoletas são normalmente consumidas grelhadas, mas também podem ser utilizadas em guisados, caldeiradas e feijoadas.



UM PRODUTOR NACIONAL EM DESTAQUE
helicicultura
João Lopes, proprietário da empresa helicícola Biojogral

“Inspirados pelas criações helicícolas francesas, italianas e espanholas, respondendo a um mercado ávido do consumo de caracoletas, embarcámos nesta aventura, de modo a responder a requisições maioritariamente
alimentadas pela importação. A este projecto juntaram-se então mais dois membros da família,
um informático e uma jornalista, apaixonados por estes pequenos animais que andam sempre com a casa às costas.”, diz o Sr. João Lopes.

“Temos hoje a maior exploração helicícola do país, com 5 ha e uma produção de 100 toneladas anuais”, acrescenta.


Segurança alimentar na produção de caracóis

Controlo da alimentação de base vegetal


Essencialmente dois motivos levam a que alguém decida dedicar-se à helicicultura.
O primeiro prende-se com o interesse em proteger uma determinada espécie e desta forma melhorar aquilo que a natureza nos oferece.
O segundo motivo é de ordem económica, o que faz com que muitos tenham a ideia de que a helicicultura é um negócio muito rentável. Contudo, pode não ser, pois é uma arte de difícil execução. O caracol tem como base um ecossistema frágil e actualmente enfrenta alguns perigos, como a poluição ambiental, o excesso de procura e as formas de agricultura agressiva.
A criação de caracóis comestíveis em cativeiro (Helix Aspersa Máxima e Helix Aspersa Muller) está a evoluir lentamente em Portugal e promete ser um nicho de mercado promissor. Praticada há quase meio século em alguns países europeus, nomeadamente em França e na Itália, está só agora a dar os primeiros passos na Península Ibérica. Nos últimos anos, o aumento da procura deste molusco para consumo humano fez com que os métodos de produção passassem a ser semi-industriais.
De uma forma geral, podemos considerar três métodos distintos de produção de caracóis.
Um sistema intensivo de exploração, no qual os animais são criados em bancadas sobrepostas. Estes locais encontram-se completamente fechados e as condições de temperatura, humidade e luz solar são monitorizadas de forma permanente, no sentido de possibilitar um maior número de posturas por ano e assim maximizar os rendimentos.
Um segundo método baseia-se na criação dos animais o mais aproximadamente possível do seu ambiente natural – em canteiros a céu aberto, com sementeiras específicas, a fim de proporcionar o alimento e o abrigo necessários. Este processo de criação apresenta uma taxa de mortalidade muito elevada, pelo que se torna menos rentável economicamente que o anterior.
Por último, e talvez o mais inovador dos métodos de criação de caracóis para consumo humano, é aquele que de alguma forma conjuga os dois métodos anteriormente mencionados. Separa as três fases cruciais da vida de um caracol – postura, eclosão dos ovos e engorda. Deste modo, é possível abordar cada uma das etapas tendo em conta a sua especificidade, melhorando assim a prestação final: maior número de nascimentos e menor número de mortes.


Exigências da criação de caracóis

São de salientar alguns pontos que diariamente devem ser tidos em conta aquando do processo de criação de caracóis:
criação de caracois
Crias de caracóis

- Sanidade: Esta é de extrema importância neste tipo de exploração animal. Humidade e temperatura amena são ambientes ideais para a propagação de doenças
Assim, existe a necessidade de manter as instalações sempre limpas, sem excrementos, restos de alimentos e de animais mortos para, deste modo, evitar ao máximo o aparecimento de doenças. As doenças dos caracóis encontram-se pouco estudadas e, como tal, nem sempre é fácil prever e prevenir patologias. É pois impreterível a máxima higiene das instalações e dos equipamentos.
Bactérias, ácaros e nemátodos são as principais origens das doenças e parasitoses que afectam mortalmente o caracol. As bactérias existem naturalmente no tubo digestivo dos caracóis e causam problemas quando existe uma acumulação de excrementos ou quando a alimentação escasseia. Os ácaros são também perigosos, provocando reduções muito significativas no rendimento das culturas quando se encontram em grandes quantidades nas explorações. Por último, os nemátodos – parasitas que invadem os intestinos e outros órgãos do caracol – provocam, por exemplo, danos no sistema reprodutor deste.

- Condições ambientais: Temperatura, humidade e iluminação. A temperatura ideal para o desenvolvimento do caracol ronda os 200C. Abaixo dos 100C o animal reduz significativamente o seu metabolismo interno, podendo entrar em estado de hibernação.
Acima dos 300C, os caracóis entram em estivação, especialmente se a humidade relativa for baixa. Humidade relativa é outro factor importante para o caracol. Estes preferem valores de humidade relativa entre os 70% e os 90%. No que toca à iluminação, o caracol não gosta que a luz solar incida directamente nele, pois seca-lhe a pele. Desta forma, caracteriza-se por ser um animal que gosta de sombra, mas necessita de 12 a 18 horas de luz solar por dia.

- Maneio diário: Nos cuidados diários há que ter atenção às condições de temperatura, humidade e inspecção dos locais onde permanecem animais, com o objectivo de verificar o seu comportamento e detectar e capturar os animais mortos. Os termómetros devem ser de fácil leitura e de preferência com indicadores de temperaturas máximas e mínimas. De igual modo, os higrómetros devem estar localizados estrategicamente por toda a área. Sempre que necessário, as instalações e equipamentos devem ser lavados, de modo a serem removidos os restos de ração e dejectos dos animais.

 Implementação de sistemas de HACCP
ovos de caracol
Ovos de caracol


No que toca à aplicabilidade da metodologia HACCP como forma de analisar metodicamente todo o processo e de determinar de modo exacto todos os potenciais perigos existentes, conclui-se que:

- São altamente recomendáveis todas as boas práticas descritas anteriormente, actuando estas como medidas de controlo no decorrer dos diversos processos;
- Os terrenos devem ser alvo de um período de descanso e de uma limpeza. A estabilização dos mesmos deve ser efectuada, por exemplo, através da aplicação de cal viva. Desta forma, são possíveis terrenos mais férteis e saudáveis para posteriores engordas;
- É de extrema importância a elaboração de cadernos de encargos, onde são registadas todas as operações diárias realizadas. Só assim é possível executar um tratamento estatístico dos dados e perceber, por exemplo, o efeito das variações climatéricas na biologia do animal. E desta forma melhorar os processos internos;
- Tendo em conta que em explorações intensivas o alimento disposto naturalmente ao caracol é insuficiente, existe a necessidade de complemento alimentar através de ração composta para caracóis. Neste caso, pode ser usado o milho e a soja, não descurando a importância do fornecimento de cálcio;
- Considerando a vulnerabilidade biológica do caracol quando afectado por algum tipo de contaminação biológica, este sucumbe quase de imediato. Daí que não tenha sido identificado nenhum tipo de patogénico alimentar humano em níveis considerados inaceitáveis;
- Em relação às contaminações químicas, aí sim consideraram-se relevantes e com significância elevada. No fundo, estamos a trabalhar num terreno agrícola, onde não conhecemos completamente o passado das terras e, sobretudo, as alterações/contaminações a que estão sujeitos os lençóis de água de abastecimento (por norma o abastecimento de água é realizado através de captações próprias). É importante a monitorização dos valores analíticos deste elemento.

Não descurando a legislação que enquadra o caracol como elemento sujeito a controlo analítico no que respeita à microbiologia (gastrópode vivo), considera-se da maior relevância, do ponto de vista da segurança alimentar, ter igualmente em conta a presença de elementos químicos neste molusco. Como forma de avaliar aquilo que se designa por ponto crítico de controlo (PCC), aconselha-se a realização de uma análise laboratorial a uma panóplia de substâncias químicas – pesticidas (p.ex. piretróides), imediatamente antes de iniciar a apanha do animal para venda. Conseguiremos, assim, ter uma garantia fiável de que aquilo que se irá comercializar é seguro para o consumidor.

Artigo de Fernando Amaro, coordenador técnico de Higiene e Segurança Alimentar

Brasil: Produtor do Rio de Janeiro investe na criação de caracóis

Um produtor do Rio de Janeiro investe, há anos, na criação de escargot, um molusco muito apreciado na culinária francesa. 
Para conseguir sucesso neste ramo, ele teve que adaptar várias técnicas de cultivo. 
Depois de um período de 10 anos na França, Alfredo Chaves, que era psicanalista, resolveu criar escargot na propriedade da família no Rio de Janeiro. 

O criatório existe há 17 anos. 
A propriedade fica nas montanhas, a 850 metros de altitude, onde a água é abundante e o clima fresco e úmido, condições que favorecem a criação de escargot. 
As primeiras tentativas não deram certo, pois os caracóis não se desenvolveram bem. Mas Alfredo persistiu, fez pesquisas e mudanças no processo de produção. 

Hoje ele é um dos maiores criadores de escargot do estado do Rio de Janeiro, com uma produção de 1,5 tonelada por ano. 

A criação é feita em parque aberto e não em cativeiro, como é mais comum. 
Os escargots ficam ao ar livre sem cobertura, circulando e se alimentando à vontade. 
Apenas uma tela protege o espaço da invasão de pássaros, que se alimentam dos caracóis e podem prejudicar a criação. 

O período de engorda dos caracóis pode levar cinco meses. Eles ficam em canteiros de bambus. 
Os caracóis maiores e de conchas perfeitas são separados para escapar do abate. 
Eles são selecionados como matrizes para produzir os ovos de escargot para o ano seguinte. O padrão de qualidade é mantido com a introdução de matrizes importadas da França. 

Alfredo faz planos para dobrar a produção. "Sei que outros estados estão querendo e estou me preparando para vender para o Brasil todo", afirma. 
A dúzia do escargot, já preparado, é vendida aos restaurantes por R$ 25. O escargot pode ser congelado cru ou cozido e costuma ser servido principalmente com manteiga de ervas.

O segredo no negócio dos caracóis

Crise também chegou ao mundo dos petiscos, num sector dominado pela importação de caracóis e caracoletas do Norte de África
caracoles e caracoletas
Este negócio está dominado pela importação de
caracóis e caracoletas do Norte de África
Os portugueses nem sequer deram por nada, mas na verdade este Verão correu o sério risco de não ser tão soalheiro como os anteriores. O caracol, o petisco estival de eleição nacional (pelo menos a sul do rio Mondego), teve a sua produção ameaçada este ano e a sua época podia nem sequer ter aberto este ano em Portugal.
O reino de Marrocos é onde são produzidos a maior parte dos caracóis e caracoletas presentes nas mesas portuguesas e dois acontecimentos recentes no país do norte de África podiam ter ensombrado este Verão: A falta de chuva no início da primavera e a celebração do mês de jejum dos muçulmanos, o Ramadão.
“Foi um ano atípico na produção de caracóis. Um mau ano por causa do Ramadão e do tempo”, afirma Ricardo Alves, gerente da Beta Caracóis, uma empresa revendedora que também exporta para Espanha e França. “O Ramadão teve início a 18 de Julho e termina na próxima segunda-feira, e durante o dia a maior parte do dia a população não trabalha”, explica.
“O caracol é todo apanhado de forma selvagem, não passa por estufas ou viveiros como muitas pessoas pensam, e depende também das condições climatéricas da altura. E este ano não choveu quando devia chover, o que originou uma fraca produção", revela o responsável.
Ricardo Alves explica também o porquê das empresas revendedoras importarem os caracóis: “Portugal não produz em quantidade suficiente nem para o seu mercado interno e muito menos para exportação”.

Marrocos também é o local de origem dos caracóis servidos na mítica casa alfacinha Júlio dos Caracóis na rua Vale Formoso de Cima, em Marvila, mas a produção nacional também tem lugar marcado à mesa. “Neste momento estamos a comprar metade dos caracóis vindos de Marrocos e a outra metade de Santarém. Estamos a comprar duas qualidades porque como já estamos no fim da época, os marroquinos já não estão a 100%”, adianta Vasco Rodrigues, dono do restaurante fundado pelo seu pai em 1958.
Também na cervejaria Novo Dia, em plena Avenida da Igreja, Alvalade, os caracóis servidos são exportados, conforme explica António Castro, sócio-gerente. “A maior parte vem do norte de África, de Marrocos”.
Para tentar combater a importação dos moluscos gastrópodes, nome técnico do caracol, foi criada no início deste ano a HelixCoop, uma cooperativa de produtores de caracoletas, na Atalaia, Lourinhã. “Neste momento são 19 produtores de várias regiões do país”, diz a delegada-presidente da cooperativa.
Os produtores sentiram a necessidade de se juntarem como forma de combater a importação do produto, revela Mónica Faria. “Quisemos ser pioneiros e tentámos por um bocadinho de tino no mercado. Por enquanto este ainda é muito controlado pelos revendedores e muitos deles trazem a caracoleta do Norte de África, de países como Marrocos”.
É verdade que em Portugal só se comem caracóis e caracoletas abaixo do Mondego? Mónica Faria acredita que sim e a sua teoria é confirmada pelos números das vendas: "Só vendemos na região entre Leiria e Setúbal".
Recessão chega à mesa dos portugueses
Mas há males que vêm por bem e foi este o caso da Beta Caracóis, revendedora com lojas em Almada e na Costa da Caparica. A empresa familiar, que conta com três gerações na sua liderança, não tem sentido a crise de forma particularmente agressiva e este ano o Ramadão e a falta de chuva até foram oportunos e acabaram por ajustar a oferta à procura. “Como houve muito menos quantidade do que no ano passado, escoamos o produto todo”, explica Ricardo Alves, destacando que as encomendas da empresa são feitas antecipadamente com base nas vendas dos anos anteriores.
Nos últimos anos a revendedora tem vendido em média 12 toneladas de caracóis e caracoletas por semana, durante o Verão.
A recessão também se tem feito sentir no Júlio dos Caracóis, mas a menor despesa dos clientes leva a um aumento da rotatividade das mesas, o que acaba por equilibrar as contas no final do dia. “A única coisa que eu noto é que as pessoas gastam menos dinheiro. Em relação ao movimento, há dias melhores e outros piores. Como temos muitos clientes, isto vai compensando. Se o cliente dantes gastava 60 euros, agora gasta 30. Antes gastava 100, agora gasta 60. Mas sai uma mesa e entra logo outra e no final do dia em vez de servirmos 100 clientes, servimos 200 com os valores a serem próximos, se bem que um pouco mais baixos”, explica Vasco Rodrigues.
Também no Novo Dia a crise tem-se feito sentir e António Castro revela que o ano tem sido particularmente duro: “Este ano a quebra foi de 50%”. Uma das causas apontadas para esta quebra, além da recessão, tem sido a falta de lugares ou de parques para estacionar o automóvel na zona: “Há pouco estacionamento, à hora de almoço uma pessoa dá três, quatro voltas ao quarteirão e nada.”
Mas a austeridade que se vive em Portugal pode ser uma oportunidade de negócio, defende Ricardo Alves: "O que é mau para uns é bom para outros. As pessoas que não puderam ir para o Algarve ou para fora, ficam em casa e investem noutras coisas como caracóis, gambas ou peixe. As pessoas não podem estar completamente fechadas e os petiscos são uma boa forma para passar o Verão."


Alguns dos melhores sítios para se comerem caracóis e caracoletas:

- O Filho do Menino Júlio dos Caracóis: Rua Vale Formoso de Cima, 140 B, Marvila, Lisboa
- Novo Dia: Avenida da Igreja, 22, Alvalade, Lisboa
- Eduardo das Conquilhas: Rua Capitão Leitão, 8, Parede
- Lagoa Azul, Avenida D. João, 10 A, Almada
- Palácio, Rua Prior do Crato, 142, Alcântara, Lisboa
- Tico-Tico, Avenida Rio de Janeiro, 19/21, Alvalade
- Casa dos Caracóis, Rua Morgado de Setúbal, 51, Setúbal
- Casa dos caracóis, Largo D. Dinis, 15-C, Odivelas
- O Apeadeiro, Vale Formoso, Estrada Almancil-Loulé, Algarve
- Restaurante Palhaçinho, Largo Dr. Francisco Sá Carneiro, 15, Faro
Por André Cabrita Mendes

O caracol ainda nos reserva muitas surpresas


É uma lesma ou é uma ostra? Comer caracóis é um acto que divide as pessoas. Mas comem-se cada vez mais e muitos deles já provêm de explorações intensivas. A cosmética descobriu-os, talvez a farmacêutica venha a seguir.

Mesmo neste microclima da região Oeste, o ar fresco e húmido que aqui se respira surge como uma bênção. Acabou de "chover" há alguns minutos e a areia entre os canteiros insiste
em colar-se aos sapatos, num contraste evidente com a secura da terra que ficou do lado de fora. Estamos à sombra, por acção conjunta da colina que se eleva a poente contra o sol e da rede estendida sobre as nossas cabeças. Mas aqui dentro, nesta estufa forrada de vegetação, não é só a frescura que nos assalta os sentidos. Há também o cheiro e o ruído viscoso de milhares de criaturas rastejando. Estamos numa quinta de caracóis.

Lá fora é Julho, aqui dentro respira-se uma Primavera delicada. O sistema de rega acabou de lançar água sobre os canteiros onde milhares e milhares de caracóis estão a sair para se alimentarem. À sua espera, os trevos e couves plantados por mão humana no início da época e todas as outras espécies do mato da região, que cresceram espontaneamente nestas condições de temperatura e humidade ideais. Há também ração, espalhada pelo dono da exploração, uma forma de complementar a dieta dos caracóis e levá-los a crescer a um ritmo mais célere. O objectivo é que alcancem em breve a dimensão ideal para serem comercializados. Ou seja, comidos. E este é um dos temas que mais facilmente dividem os portugueses. Que haja adeptos do Benfica na cidade do Porto e "dragões" assumidos em Lisboa já não espanta ninguém. Que se vote agora PSD e depois PS, ou vice-versa, é coisa que os analistas políticos encaram como uma inevitabilidade no sistema político actual. Mas com os caracóis a coisa fia mais fino. 

Para alguns, eles não passam de lesmas com casca. Outros comparam o sabor ao das ostras, de quem, afinal, são parentes próximos. Dificilmente se encontra um artigo de culinária sobre o qual as posições se extremem tanto: os caracóis amam-se ou odeiam-se. Em Portugal, comem-se essencialmente cozidos, como petisco, mas estão gradualmente a aparecer noutros pratos, à medida que se sucedem as experiências - nem sempre muito felizes, acrescente-se. 

O caracol pequeno servido em restaurantes e tascas, feiras e esplanadas, arraiais e cervejarias vem, essencialmente, de Marrocos. É apanhado à mão por pastores e entregue aos responsáveis de cada aldeia, que servem de agentes do negócio, controlado pela família real. Portugueses, espanhóis, franceses, italianos, gregos. Todos querem uma fatia deste produto de exportação - o consumo em Portugal ultrapassa as 40 mil toneladas anuais. A partir de Julho, em Portugal, começa a haver também caracol nacional, que resiste melhor ao passar do Verão devido às temperaturas mais amenas, por comparação com o Norte de África. 

Theba pisana
Mas este é o mundo do caracol pequeno (espécie Theba pisana). Um mundo que ainda gira à volta do sistema tradicional de apanha na Natureza e posterior encaminhamento para intermediários ou casas comerciais. O seu tamanho reduzido e a sazonalidade do consumo - brilha como um cometa entre Abril e Setembro, mas desaparece nos restantes meses - retiram-lhe interesse do ponto de vista agrícola. Mas o cenário é bem diferente no caso do caracol grande, normalmente conhecido como caracoleta (espécie Helix aspersa), que tem uma produtividade bem mais interessante e se consome todo o ano. 

Bichinhos irrequietos 

São estes os inquilinos dos canteiros que se alinham sob a rede neste vale vigiado por aerogeradores num flanco e árvores do outro, lado a lado com alguns cavalos que pastam ali à volta. Ao todo, são cerca de 3000 metros quadrados, quase metade da área de um campo de futebol, divididos em vários canteiros com corredores de serviço entre eles. Cada canteiro está delimitado por uma rede de cerca de 50cm de altura, barrada, perto do limite superior, por uma substância que parece massa consistente, daquela que se encontra nas peças móveis dos automóveis ou se coloca nas dobradiças das portas, por exemplo. 

Primeira surpresa: este não é um produto standard. É uma fórmula desenvolvida por Luís Lucas, da empresa Hélix Oeste, uma das que, em Portugal, se dedicam à helicicultura. Ou seja, criação e comercialização de caracóis. O violento temporal deste Inverno na zona Oeste arrasou as estufas da empresa - e o mesmo sucedeu com, pelo menos, uma das suas concorrentes, a Escargots Oeste. Enquanto não reata esse lado da sua actividade, Luís Lucas fornece apoio logístico e assessoria aos criadores que lhe compraram caracóis-bebés. 

E é por isso que ele está aqui, vigiando atentamente os canteiros na companhia de Francisco José, proprietário das instalações. E é por isso que responde, com ar casual, que a barra de "massa consistente" é uma barreira química que impede os caracóis - que, como se sabe, são uns animaizinhos irrequietos... - de fugirem dali para fora. E que a "receita" foi inventada por si próprio, culminando um longo processo de experiências sucessivas até acertar com a fórmula ideal. 

"Fazia um círculo com o produto e punha lá dentro dois caracóis, para passarem a noite. Umas vezes fugiam, outras comiam a massa e morriam. Até que, uma manhã, acordei e os dois caracóis estavam no interior do círculo, vivos mas confinados. Percebi que tinha, finalmente, acertado na fórmula..." O produto é feito com massa consistente alimentar e aditivos que repelem o caracol, mas acaba aí a divulgação pública de um segredo que, como tantos outros, pode ser a alma do negócio. 

Posto em prática, este sistema resulta claramente. Nesta exploração perto da praia da Areia Branca, muitos caracóis agarram-se à rede e trepam por ali acima, mas fazem meia-volta mal entram em contacto com a substância inventada por Luís Lucas. Alguns, muito de vez em quando, conseguem encontrar um ponto fraco e passam para o lado de fora, mas aí entra em acção a vigilância cuidada de Francisco José, que depressa os recoloca no canteiro. 

A cobertura vegetal está desbastada para se quedar a pelo menos 30cm da rede, uma forma de evitar outra possível via de fuga dos caracóis: quando se juntam muitos no mesmo caule, não é incomum este ceder ao peso e tombar - um espectáculo normalmente só perceptível pelo som de ramos a raspar e cascas a chocar umas com as outras. Ninguém grita: "Madeira!", mas é difícil não sorrir perante a analogia. 

Para um helicicultor, as contas a fazer são simples: há que contar com cerca de 20 por cento de taxa de mortalidade, especialmente na fase inicial de crescimento. Mas depois, mesmo neste paraíso semiartificial, os caracóis não têm uma vida isenta de riscos. Podem ser vítimas de ratos (que roem o centro da casca, à procura dos intestinos), de pássaros (partem a casca com o bico) ou mesmo de outros caracóis mais agressivos. A única forma de evitar estas cenas de antropofagia é vigiar a exploração e aumentar a dose de ração (de cereal moído) quando se descobrem cascas vazias e sem sinais de agressão exterior. 

Na catedral do caracol 

Os Helix aspersa são apanhados quando chegam ao seu tamanho ideal (18/20g) e seguem depois para armazéns, onde são conservados em câmaras frigoríficas até à viagem final rumo a uma cozinha perto de si. E aí podem ser cozinhados de muitas formas, desde os tradicionais caracóis cozidos à portuguesa até aos internacionalmente afamados escargots à francesa. Passando pela grelha, por feijoada, chili, arroz... 

O chefe português José Avillez não tem dúvidas em considerar que o caracol "é um produto engraçado para explorar novos caminhos", mas também assume que não avança com experiências suas para o menu (no caso, do Tavares, em Lisboa, o restaurante onde exerce). "Já fiz guisado de caracóis, migas de caracóis... o problema é que as pessoas oscilam entre o adorar e o detestar. Não podemos afastar pessoas à partida e, a pensar nisso, não ponho na ementa." 

José Avillez mantém uma regra de ouro: "Quando é bem cozinhado, o caracol transmite mais o seu sabor do que absorve o que está à volta. Se absorver muito, é porque está mal." E é isso o que, no seu entender, acontece com frequência em feiras e arraiais, onde, por esta altura, o bicharoco aparece como estrela do evento. 
Ainda há "muita coisa por descobrir" no universo gastronómico do caracol, mas algumas potencialidades parecem pouco atractivas nos moldes actuais do mercado. É o que acontece com as ovas de caracol, chamadas "caviar branco" ou "caviar da terra". José Avillez apresentou-as uma vez em Madrid, mas pagou 300 euros por quilo... 
Não admira, por isso, que o caracol continue a brilhar principalmente como petisco, onde é mais rentável. É que um pratinho de caracóis representa um convite irresistível a beber uma cerveja, depois talvez um pãozinho para embeber o molho e, já que aqui estamos, por que não acabar a refeição com um prego ou outro petisco de carne, que isto já não são horas de ir para casa fazer jantar... 

Ao contrário do que sucede com os caracóis, os adeptos do bicharoco no prato desatam a sair das tocas assim que o sol começa a apertar. Numa das mais afamadas casas de Lisboa, a cervejaria O Filho do Menino Júlio dos Caracóis, o calendário é rigoroso: começam a servir-se caracóis "em Abril, a seguir à Páscoa, e a época vai até à primeira semana de Setembro", explica Vasco Rodrigues, gerente e "artista" do tempero, uma fórmula secreta que vem do seu pai. 

Como o próprio nome indica, este é um negócio de família. Mas a família alarga-se aos clientes habituais, alguns verdadeiros fanáticos, capazes de "se meterem num avião e virem de Paris para comer caracóis", assegura Vasco Rodrigues. Não estarão cá hoje, mas neste final de tarde em Lisboa, com a temperatura bem acima dos 30 graus e um vento que parece o bafo de um secador de cabelo, a romaria nesta rua da zona oriental de Lisboa começa à hora do costume. 
Às 17h00 chegam os primeiros clientes, às 18h30 já não há lugares vagos e as pessoas inscrevem-se num papel preso junto à porta. Sempre que um novo tacho sai do lume, soa uma sineta. "Há quem espere para apanhar os acabadinhos de sair...", explica o gerente. Lá fora, carros estacionados em segunda fila mostram que o "Menino Júlio" continua a ser tão popular como sempre foi, passado o testemunho de pai para filho. "Quando cozi a primeira panela, chorei todo o dia, a pensar se as pessoas iam acreditar em mim..." 

Ameaçados de extinção 

Aqui não há caracoletas, só caracol cozido. Mas Vasco Rodrigues recomenda sem reservas a quem gosta deles maiores que se dirijam à casa que fica praticamente em frente. Esta franqueza já lhe granjeou, pelo menos, um novo cliente: "O homem queria caracoletas e eu disse-lhe que havia do outro lado da rua. Ele ficou espantado com a minha sinceridade e acabou por ficar. Provou os caracóis e adorou. Sabe, muita gente não gosta de caracóis porque nunca provou..." 

Fora da bacia mediterrânica, o estupor é generalizado quando se percebe que há quem coma estes "vermes". Cá dentro, uma barreira invisível parece estender-se a norte do Mondego - genericamente falando, daí para cima o caracol é um bicho nojento; abaixo dessa linha, um manjar dos deuses. Mas cada pessoa é um caso. José Avillez diz que o caracol o "entusiasma", mas a caracoleta nem por isso. Vasco Rodrigues garante que come "todos os dias" uns bons "quatro ou cinco pratos de caracóis" quando o restaurante pára de os servir, aí pelas 22h. 

Já a bióloga Rolanda Albuquerque de Matos, considerada a maior especialista nacional em caracóis, nunca comeu estes moluscos e dificilmente se vê a fazê-lo. A explicação é simples: "Durante mais de duas décadas cultivei e observei quase diariamente milhares de caracóis, o que os tornou, para mim, animais de estimação. E um animal de estimação não se come!" 
Especies de caracois
Especies de Caracois

Do seu trabalho resultou, nomeadamente, a mais completa listagem das espécies de caracóis que ocorrem em Portugal. "Do total das 152 espécies referidas, 106 são terrestres e 46 de águas doces e salobras. Dessas, 15 não devem ser consideradas como pertencentes à nossa malacofauna, de modo que, à data da publicação, o número de espécies conhecidas de caracóis portugueses era de 137: 94 terrestres e 43 aquáticos", enuncia, em respostas enviadas por email. 

É impossível encontrar este grau de rigor matemático quando se olha à dimensão planetária. Rolanda Albuquerque explica que "há uma estimativa de 35 mil espécies vivas de gastrópodes", mas serão sempre números aproximados. Certezas há quanto ao facto de estes animais se darem melhor em climas tropicais e de serem "um elo importante na cadeia alimentar", por fazerem a ponte entre o mundo vivo e o inanimado. 

Mas esta enorme variedade de espécies de caracol não tem um canal directo para o prato. Na verdade, explica a bióloga, só há em Portugal quatro espécies comestíveis: "Por ordem decrescente de tamanho: a caracoleta (nome científico mais conhecido, Helix aspersa), o maior caracol terrestre português; a caracoleta moura também conhecida como boca-negra na Madeira (Otala lactea); o amarelinho, riscadinho, ou caracol-das-canas, o caracol português mais bonito pela grande variedade de cores que a concha pode apresentar (Cepaea nemoralis); e o caracol a que chamo caracol-das-cervejarias e os apreciadores caracol pequeno (Theba pisana). Um caracol (Helicella virgata) do mesmo tamanho e muito parecido com este último e que pode encontrar-se nos mesmos locais não tem valor gastronómico, pois dizem que é muito amargoso, referido por alguns como caracol-do-diabo." 

A pressão colocada sobre as populações nacionais devido à apanha desenfreada destes animais na época alta (e que antecede a época de desova, no Outono) ameaça a sua sobrevivência. Por outro lado, a importação de espécies do Norte de África coloca igualmente problemas aos caracóis portugueses. Rolanda de Matos: "Toda a espécie no seu local habitual está sujeita a condicionamentos do ambiente, entre eles a existência de predadores, com os quais mantém um equilíbrio." Mas os caracóis importados que se escapam para a Natureza não têm estas condicionantes e, multiplicando-se sem restrições, podem levar a espécie indígena ao desaparecimento. 

E é aqui que entra a helicicultura. Na estufa de Francisco José, onde um melro (um predador de caracóis) conseguiu entrar e se entretém agora a iludir os olhos humanos, metendo-se por baixo da vegetação, fazem-se contas. O helicicultor colocou há três meses nos canteiros meio milhão de crias de caracol; em breve poderá começar a apanhar os maiores, que andarão idealmente à volta das 18/20 gramas de peso. Ou seja, descontando a taxa de mortalidade expectável de 20 por cento, haverá por aqui mais de sete toneladas de caracoletas. 

Estamos a falar de uma receita potencial que pode ir dos 21 mil euros (se vender a um revendedor) aos 35 mil (caso coloque o produto directamente nos restaurantes, a cinco euros o quilo). Mas estes números têm de ser lidos à luz das despesas entretanto feitas e que, contas feitas por alto, no caso de uma exploração deste calibre, andarão por volta dos 12.500 euros. Se tudo correr bem, portanto, é um negócio interessante. 

Mas este é um enorme "se", como pode testemunhar Carlos Candeias, um dos sócios da Escargots Oeste. "O temporal destruiu-nos as instalações, que ocupavam 2600 metros quadrados. Tínhamos 800 mil bebés, foi-se quase tudo; os picos de energia deram cabo das caracoletas que tínhamos no frio para reprodução. Os prejuízos globais foram na ordem dos 100 mil euros. E ainda não veio qualquer ajuda..." 

Excesso de helicicultores 

A miragem de que a criação de caracóis era uma excelente oportunidade de negócio, assim uma espécie de "galinha dos ovos de ouro" que se podia ter como segunda ocupação, durou alguns anos. Os suficientes para, no entender de Luís Lucas, atrair um excesso de helicicultores. E essa oferta, "que já supera a procura", cria dificuldades no mercado e lança as raízes para a desregulamentação de um sector que já de si ainda opera muito sem regras assumidas. 

E é claro que a grande oportunidade de negócio está no outro extremo da cadeia. Os restaurantes que servem caracóis podem pedir por doses de mais ou menos 200 gramas preços que andam à volta dos três, quatro euros (no "Menino Júlio" chega aos cinco). Como um saco de caracóis com cerca de cinco quilos lhes sai por cerca de 11 euros, o negócio é atraente - tanto mais que, lá está, o caracol nunca se come sozinho... O caso das caracoletas é menos impressionante mas também tem que se lhe diga: mesmo que pague cinco euros por quilo ao produtor, um restaurante vende uma dúzia (pouco mais de 200g) por 2,5 a três euros. 

Actualmente, o mercado nacional absorve praticamente toda a produção nacional. Luís Lucas estima que talvez alguma caracoleta "menos boa acabe nas fábricas espanholas", mas a exportação não se mostra rentável porque os preços pagos lá fora são semelhantes e as despesas de transporte seriam muito maiores. É também importante garantir que os caracóis não demoram demasiado tempo a chegar à maturação. Francisco José está preocupado: "Estou mesmo a ver que vou ter caracol quando o preço começar a baixar..." 

O processo começou há meses, quando os caracóis seleccionados foram colocados em tabuleiros de reprodução (na verdade, metade deles não resistiu à hibernação, pelo que a selecção natural torna-se ainda mais intensa). Chegados a esta fase, os caracóis estão no seu nirvana. Como são hermafroditas, a sua vida sexual é muito colorida. Desde que se cruzem, ambos podem pôr ovos, pormenor que muito há-de agradar aos seus "donos"... 

Os ovos demoram 17 dias a germinar em incubadoras e os bebés são depois vendidos aos helicicultores. 

Cada vez mais na moda 

Daí para o prato, vai ainda uma longa história. Feita de paciência e risco, de inteligência e dedicação. Com uma vantagem enorme no horizonte: o caracol está cada vez mais na moda. Os gastrónomos salientam o seu valor alimentar (tem as mesmas calorias do peixe e só metade da gordura, mas sete vezes os sais minerais) e as redes de distribuição começam a colocar no mercado produtos congelados prontos a cozinhar. 

Mas a maior revolução veio da indústria cosmética, que descobriu os benefícios da baba deste molusco, dotado, ao que dizem, de impressionantes qualidades de regeneração da pele. Responsáveis da Cherry Blue, uma das empresas que comercializam este produto, não julgaram conveniente prestar quaisquer esclarecimentos sobre a dimensão do negócio, mas a consulta ao sitede uma parafarmácia especializada em emagrecimento, desporto e saúde devolve pelo menos 11 produtos à base de baba de caracol, desde cremes de rosto a champôs para o cabelo. E isto pode ser apenas o início. 

A baba de caracol é obtida stressando os animais - com calor, nomeadamente. Colocados em cubas giratórias, os caracóis segregam baba até praticamente à exaustão e aquela escorre para reservatórios onde é depois purificada, num processo que pode ser comparado à pasteurização do leite. É muito cara - pode atingir preços de mercado entre os 250 e os 450 euros por litro -, mas trata-se da fonte mais pura de proteína que se detectou até hoje na Natureza: "É proteína pura; a soja tratada só chega aos 42 por cento", enuncia Luís Lucas. 

Para este inspector de aeronáutica civil que deixou o emprego após o 11 de Setembro de 2001 para se dedicar ao seu sonho de ser helicicultor, os caracóis são bem mais do que uma mera forma de fazer negócio. São uma paixão. Confessa que gostava de ver estudada a influência do caracol quando introduzido na dieta de pessoas na terceira idade e não tem dúvidas sobre o que o futuro nos trará: "Penso que a seguir à cosmética virá a indústria farmacêutica. O caracol ainda nos reserva grandes surpresas."
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